A Rota dos Grands Crus é, de certa forma, a Champs-Élysées da Borgonha — a primeira rota turística do vinho na França —, um trajeto de 60 quilômetros que atravessa 37 vilarejos de denominações mundialmente famosas. Gevrey-Chambertin, Nuits-Saint-Georges ou Pommard... Não há fio condutor melhor para descobrir a Borgonha, seus vinhedos e seus "Climats", reconhecidos desde 2015 como Patrimônio Mundial da UNESCO...
Marsannay-la-Côte: a prova por três

Às portas de Dijon, Marsannay marca o início da Rota dos Grands Crus da Borgonha. Bem-vindo a uma paisagem de curvas suaves, onde as vinhas se estendem em fileiras cerradas de vilarejo em vilarejo, onde as parcelas cercadas por antigos muros de pedra seca são chamadas de clos e onde belos castelos parecem saltar de colina em colina. Com suas caves de abóbada dupla, o castelo de Marsannay é uma excelente introdução, especialmente porque a denominação é uma exceção na região vinícola, produzindo vinhos tintos, brancos e também rosés!
Gevrey-Chambertin: os crus de renome

Situado na saída do vale de Lavaux, Gevrey-Chambertin é o vilarejo que ostenta 9 Grands Crus e 26 Premiers Crus. Mundialmente famosa, a pequena localidade não se deixou embriagar pela fama, mantendo-se tranquilamente aninhada ao redor de sua igreja românica e de seu castelo medieval. Para apreciar a vista panorâmica, vale a pena seguir a trilha que sobe as encostas mais altas, logo atrás dos vinhedos. O visual é imperdível!
Clos de Vougeot: uma joia entre as vinhas

Um castelo majestoso com telhado de telhas vitrificadas, como uma ilhota em meio aos vinhedos... Vê-se de longe, sonha-se com ele e atravessa-se, com um leve arrepio, o portal imponente deste vinhedo lendário. Eis o reduto dos Cavaleiros do Tastevin, uma confraria venerável de 12.000 cavaleiros, embaixadores da Borgonha em todo o mundo. As antigas prensas, a sala de fermentação e a grande adega compõem o cenário como no século XII, sob o lema: "Nunca em vão, sempre em vinho".
Vosne-Romanée: o néctar supremo

Quase se pode passar por eles sem perceber! Um simples cruzeiro à beira da estrada sinaliza as parcelas mais valorizadas do mundo: as do Domaine de la Romanée-Conti. É ali, em apenas 1,8 hectare, que nasce o vinho tinto mais caro e renomado do planeta — um Grand Cru da Côte de Nuits cujas garrafas podem custar milhares de euros. O segredo desse néctar, com seus aromas de rosa-silvestre e pétalas de rosa? O seu Climat: aquele pedaço de terra que desfruta de uma exposição perfeita e que o trabalho dos viticultores soube aprimorar ao longo dos séculos.
Nuits-Saint-Georges: de deixar boquiaberto

A pequena cidade que dá nome à famosa Côte de Nuits merece uma parada. Não apenas por ser o berço de alguns dos melhores vinhos tintos do mundo. Nuits-Saint-Georges abriga também o Imaginarium — onde se aprende tudo sobre o universo da vinha de forma divertida — e o Cassissium, um espaço dedicado ao cassis, o "ouro negro" da Borgonha. Nesse museu interativo, a pequena fruta é a grande estrela, sem qualquer modéstia.
Beaune: cidade-capital

Ao longo da estrada, torres de igrejas e castelos com belos telhados de telhas vitrificadas já anunciam o Hôtel-Dieu de Beaune. Que esplendor! Verdadeira joia da arquitetura gótica flamejante, esses telhados policromáticos arrebatam pela sua beleza, assim como o grande Salão dos Pobres, a capela e a cozinha deste hospital medieval — um tesouro da Borgonha. Sua fama também se deve à produção vinícola da propriedade, vendida em leilão todos os anos, em novembro, no mercado coberto. Um verdadeiro espetáculo!
Pommard: vinho tinto

Ao pensar em vinho tinto, o nome Pommard logo vem à mente, evocando um vilarejo e um vinhedo icônicos da Borgonha, onde a Pinot Noir reina absoluta. É impossível não se encantar com o castelo do século XVIII situado diante dos vinhedos, seus magníficos jardins em estilo francês, suas caves abobadadas e a surpreendente galeria de arte, que reúne rótulos excepcionais e obras de Dalí, Picasso ou Miró.
Meursault: doce França

A capital dos grandes vinhos brancos da Borgonha, com vinhedos plantados majoritariamente com a uva Chardonnay, possui um charme irresistível em meio às encostas que se sucedem em declives suaves. Com seus castelos vinícolas, casas elegantes, boa gastronomia e a torre de sua igreja gótica, Meursault personifica a doce França.
Chassagne e Puligny-Montrachet: formam um par perfeito

Eis um vinhedo de aparência despretensiosa, situado em uma colina rochosa — um monte despido de vegetação que, no entanto, revela ser um terroir de excelência no coração da Côte de Beaune. Nesse oceano de vinhas, dois vilarejos — cúmplices e rivais ao mesmo tempo — compartilham a honra de produzir o maior vinho branco seco do mundo. Deixando de lado as discussões técnicas, promete-se a você uma estadia deliciosa em um dos cinco quartos de design surpreendente do Castelo de Chassagne-Montrachet.

Por Pascale Filliâtre
Journaliste-voyageuse. Je suis souvent allée au bout du monde chercher ce que la France offre… juste à côté. [email protected]







