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Doisneau e Les Halles
Les Halles / Atelier Robert Doisneau
De 8 de fevereiro a 28 de abril de 2012, Robert Doisneau se instala na Prefeitura de Paris. Apaixonado pela capital e por seus habitantes, o mais famoso fotógrafo humanista é hoje homenageado por seu trabalho sociológico e histórico dedicado ao legendário bairro Les Halles.
“O ventre de Paris”
Descrito pelo escritor Emile Zola na obra “O ventre de Paris”, o bairro les Halles do período anterior a 1969, quando havia um gigantesco mercado, era um mundo onde reinava um clima de imensa agitação do meio-dia à meia-noite. A elite que freqüentava os bailes por ali passava e cruzava os caminhões de entrega, as donas de casas que madrugavam se misturavam aos idosos em busca de algo para comer. Assim era o les Halles de Paris, com sua atividade incessante, sua diversidade de profissões, suas diferentes classes sociais que juntas conviviam. Foi nesse universo que Robert Doisneau mergulhou repetidamente de 1933 até a sua morte em 1994, imortalizando através de suas lentes as cenas recorrentes do cotidiano do comércio e o espetáculo tão apressado quanto sereno do vaivém dessas gentes de humanidade infinita.
Deixar um rastro do passado
Nos anos 60, em um momento em que o les Halles estava ameaçado, Doisneau desloca-se até o bairro todos os dias. “Eu acordava às 3 horas da manhã, em Montrouge, para ir até lá, entre os trabalhadores da madrugada, aqueles que descarregavam os caminhões, os que organizavam e dispunham as mercadorias. Era difícil de fotografar: não havia luz suficiente, meus reflexos eram lentos devido ao cansaço, havia tantas imagens a eternizar! Além disso, era intimidante. Mas eu não desistia. Eu sabia que aquele lugar ia deixar de existir. E eu desejava que aquelas lembranças ficassem registradas para sempre.” E ele não só atingiu esse último objetivo como também eternizou a evolução do grande mercado, visitando mais tarde Rungis para descobrir o que tinha acontecido com seus amigos.
Um testemunho estético, social e histórico
A exposição reúne 208 imagens, a maior parte antigas, permitindo que o visitante adote um outro olhar sobre les Halles e a obra de Doisneau. Ele também nos deixa um testemunho precioso sobre esse lugar impregnado de história que esquecemos com freqüência, em que, a cada dia, milhares de parisienses oriundos de diferentes classes sociais conviviam. No final da exposição, esse testemunho é confrontado com a apresentação do novo projeto de reforma do bairro.






